Liberando a mãe idosa do ressentimento de sua filha

N se queixava de ser um suplicio para ela a tarefa de cuidar da mãe, idosa e muito doente. Sentia-se cronicamente ressentida e magoada com a mãe. N entendia que a mãe nunca a amara, nem sequer a via, desde criança. O diagnóstico por Constelação Sistêmica Familiar evidenciou que a mãe sentia amor pela filha e que não temia a morte, sentia-se cansada de viver. N manifestava sentimentos contraditórios: por um lado dizia “mãe, não vá, preciso de você “ e de outro “eu sempre quis ter outra mãe, só sinto mágoa de você”. É importante ressaltar que N sentia o pai como um apoio afetivo.

A terapia revelou duas questões sistêmicas, na origem das dificuldades de N com a mãe: a gravidez de N fora de risco de vida para a mãe, que a sustentara mesmo assim, mas tivera dificuldades em assumir plenamente a maternidade dessa filha. Além disso, o vinculo do casal de pais de N era frágil. O pai tivera um primeiro casamento, rompido pela morte da esposa e ele não conseguira assumir plenamente a segunda, mãe de N. Não assumira o luto e se apegara à filha, projetando nela a memória afetiva da esposa perdida. Isso sempre confundira a filha, resultando em dificuldades em assumir sua condição de filha e de respeitar a mãe.

A terapia promoveu cerimônias de resgate do amor incondicional que permeava o sistema familiar. O pai despediu-se da primeira esposa, liberou a filha do apego inconsciente e a assumiu como filha, assumiu a mãe de N como esposa, e lhe agradeceu pelo matrimonio e pela filha.

O coração de N se abriu para compreender as dores da mãe, perceber sua força de mãe e lhe agradecer pela vida que dela recebeu.

Após essa etapa, N entrou em contato com sentimentos confusos de competição com a mãe pelo amor do pai. Liberou-se, ao deixar com o pai a dor da perda da primeira esposa com a qual estivera identificada, ao aceitar a mãe como a esposa do pai e ao sentir-se como a grata filha do casal. O amor voltou a fluir entre filha e mãe.

Método: Constelação Sistêmica Familiar

Facilitadora: Maristela de André