Ansiedade Crônica e Síndrome de Down

A cliente N é psicóloga, mãe e esposa, já havia percorrido um proveitoso processo de expansão de consciência, mas a incomodava a sua ansiedade e aceleração, era difícil conviver com o ritmo de outros e dos fatos, tendia a querer controlar situações e pessoas.

Numa seção de terapia por constelações sistêmicas familiares, a facilitadora lhe indagou se identificava alguém na família que se sentia ameaçado se não agisse sempre com rapidez. Veio-lhe à mente a memória de um irmão mais novo, portador de “síndrome de down”, que vivera até os 20 anos. Os pais insistiam cotidianamente que ele se movesse com maior rapidez. Emocionou-se ao acrescentar: “mas ele não podia!”. Quando criança, N fizera um pacto inconsciente com o irmão, que ela amava muito. Fantasiava que, sendo bem rápida, atenderia à expectativa dos pais, desviando sua atenção na cobrança ao irmão, fazia isso por amor a ele.

A seção de constelações familiares liberou N para seguir a vida, num ritmo próprio e terminar o luto pela falta do irmão em sua vida. Trinta dias depois, N deu testemunho de que seu ritmo estava melhor e sentia a vida mais leve e animada. Estava cuidando agora com tranquilidade de um processo de separação de casamento. N relatou o prazer com que havia feito um passeio solitário de várias horas, no interior do Estado de S Paulo, num domingo. O dia estava pleno, ela percorrera estradinhas e pequenas cidades, dirigia de vagar, atenta à estrada e se permitindo apreciar a paisagem. Nessa noite havia dormido um sono profundo e repousante.

Facilitadora: Flora C. Goto, registro de Maristela André